World Fashion edição 161

B A L C Ã O POR ELENI KRONKA WORLD FASHION – Quais são as características do varejo contemporâneo? PATRÍCIA COTTI – O Ibevar foi o primeiro a ter um ranking só de varejo com dados consoli- dados. Realizamos pelo menos oito edições de premiações calcadas essencialmente no fa- turamento das empresas. Mas a metodologia usada para o Ranking 2018 teve três grandes pilares: a eficiência da operação, a imagem da empresa junto ao público e, claro, o faturamen- to. Os dois novos pilares fazem toda a diferen- ça: empresas que têm uma operação eficiente sabem potencializar a operação da loja e pes- soas em resultado (dinheiro); sabem trabalhar o marketing para comunicar essa eficiência e a qualidade de seu produto ao público alvo, construindo uma imagem verdadeira e forte. W. F. – Os pequenos estão sendo capazes de mostrar sua competência? P. C. – Sem dúvida! As grandes redes varejistas, principalmente de supermercados, têm todo o mérito do mundo, pois ganharam força, vence- ram enormes barreiras e continuam trazendo inovação. Mas há também a pequena rede, com cinco lojas, por exemplo, portadora de um dife- rencial que a transforma em modelo ou ben- chmark para aquele que também é pequeno e quer expandir ou otimizar a sua atuação dian- te da concorrência. O Ranking Ibevar tornou-se uma premiação que quer dar conhecimento ao mercado sobre novas empresas que fazem a di- ferença. Talvez sejam operações regionais, mas estão fazendo importante trabalho de marketing. W. F. – A regionalização é característica que ainda prevalece no Varejo brasileiro? P. C. – O nosso varejo tem muitíssimo potencial a Aprendendo como novo varejo Trabalhar como Varejo é uma escola, dizemos que o têmcomo principal ramo de atividade. E nesse campo, o varejo de supermercados, no Brasil e lá fora, apresenta- se como o segmentomais dinâmico e propício amudanças e resultados Varejo continua dando lições aos empresários e empreendedores, bem como mantém todos em alerta para mudanças, naturais e ne- cessárias, que vão surgindo, em prol da eficiência e de resultados. Para seguir de perto as importantes transformações pelas quais o Varejo passa, o Instituto Brasileiro de Execu- tivos de Varejo e Mercado de Consu- mo – Ibevar, juntamente com a Fun- dação Instituto de Administração (FIA) e a Epistemics , empresa de big data, realizou amplo estudo de merca- do para apontar empresas que são re- ferência dentro do segmento. Em entrevista exclusiva ao World Fashion , a diretora executiva do Ibevar, Patrícia Cotti, fala sobre novas tendências para o setor, apontando que os desafios que se apresentam constituem tam- bém as novas fronteiras do que é o novo varejo no Brasil e no mundo. Vale lembrar que o Ibevar é um insti- tuto sem fins lucrativos que visa con- gregar os profissionais varejistas, por meio de conteúdo, networking e ne- gócios, de forma a agregar em suas carreiras e crescimento de mercado. Dentro do pilar de conteúdo, o insti- tuto possui uma série de pesquisas realizadas em conjunto com a USP, como Intenção de Compra, Intenção de Compra na Internet, Prevenção de Perdas, e o Ranking. O ser explorado, pois o retrato atual é de um vare- jo bastante regionalizado. Amaior parte das gran- des redes de lojas está em até cinco estados do Brasil, o que é nada, se considerarmos a extensão do nosso território. Como tempo, essa regionaliza- ção tende a diminuir, para que as redes ampliem o campo de ação dentro do mercado nacional. W. F. – Considerando-se o Varejo como um todo, qual a posição que a moda, com seus itens de vestuário, ocupa no plano geral? P. C. – O vestuário, habitualmente, está em se- gundo ou terceiro posto no ranking de vendas, levando em conta que é muito grande o núme- ro de lojas desse tipo. Claro que, no quadro ge- ral do Varejo, as vendas de supermercados são imbatíveis, pois são itens essenciais, são com- pras voltadas do dia a dia. Mas o segmento de vestuário tem muita representatividade, tan- to é que acaba alternando com de eletromó- veis e também com o de drogarias. Assim, o ves- tuário é o segundo ou o terceiro segmento em vendas de varejo. É um segmento muito pulveri- zado. Há importantes redes de varejo, com Ria- chuelo e Renner sempre disputando a liderança, seguidas pela C&A. E depois vêm as outras re- des. Sem contar que há um contingente gigan- tesco de pequenas lojas, espalhadas por todos os cantos. Todos sabemos que quando alguém quer empreender, é para o varejo de moda que se volta, ainda que seja sem preparo para a ges- tão. Esse é, aliás, o principal motivo da alta taxa de mortalidade do segmento... W. F. – Qual o papel das grandes dentro desse quadro? P. C. – Percentualmente, a representatividade de uma rede de moda é ainda pequena. Compa- rativamente, o segmento das drogarias cresce Fotos: Divulgação 8 161

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