World Fashion edição 161

M A R K E T I N G E V A R E J O POR LUÍS TADEU DIX Varejo contemporâneo pede agilidade O varejo emgeral e, de forma específica, o de moda, lida hoje commúltiplos e importantes fatores que, peneirados, analisados e bem trabalhados podem empurrar para cima a curva de vendas Inteligência Artificial – Cases de Startups foi tema escolhi- do pela Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv) para nortear reflexões do 26º Backstage do Varejo, encontro periódico que traz à tona temas relevantes para o setor. Rea- lizado em julho, no Auditório Faap, em São Paulo, o evento teve como uma das palestrantes a coordenadora do Centro de Empreendedorismo da própria Faap, Alessandra de Andrade, que abordou a questão do Mindset Empreendedor. Outros especialistas levaram o públi- co à reflexão. Charles Schweitzer, da Leroy Merlin Brasil, falou sobre “O que é inovação e como fazer para im- plantar a cultura da inovação nas em- presas”. Manuel Guimarães, da Propz Mídia, abordou o Programa de Relacio- namento, Objetivo, Prático que gera re- sultados utilizando princípios da In- teligência Artificial (IA). Já Guilherme Masseroni, da James Tip, utiliza a IA para dimensionar estoques varejistas e evitar rupturas discursou em torno da problemática de Como a Inteligên- cia Artificial pode ser aplicada no dia a dia com resultados mensuráveis . Janai- na Camargo, da Ouvi, cujo objetivo é permitir que empresas de mídia exe- cutem estratégias móveis com fins co- merciais, falou sobre Mobile vouchers para novos canais .A campanha da Are- zzo&Co para o Dia das Mães, em par- ceria com a startup Ouvi, foi tema para Milena Carrera. A mesa contou com a mediação de Hélio Biagi, sócio- -diretor da BTR Educação e Consulto- ria, fundador da Oasis Lab e presiden- te do conselho da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). EMPREENDER Alessandra de Andrade, da Faap, ao tratar sobre Mindset Empreendedor , estabeleceu a relação da ação com o chamado “Mundo VUCA” – do in- glês V olátil, I ncerto, C omplexo e A m- bíguo. O acrônimo descreve, aliás, o momento presente, válido para en- tender as enormes mudanças no ce- nário contemporâneo. Vale também lembrar que o termo VUCA foi cria- do pela Força Aérea Norte-Americana para descrever determinado cenário, para efeitos de treinamento. Entenda-se por volátil (Volatile) a ra- pidez das mudanças simultâneas que tornam muito difícil prever cenários, mesmo em curto prazo. As empresas precisam aprender que é mais impor- tante lidar com o inesperado – ter ve- locidade de decisão e reação – do que gastar tempo planejando detalhes da operação porque os cenários mudam de formas inesperadas. Incerto ( Uncertain ), por sua vez, diz respeito ao volume inestimável de in- formação disponível no mundo, mas sem que elas garantam o sucesso de um empreendimento novo ou já em operação. As mudanças são disrupti- vas , ou seja, alteram radicalmente um cenário atual para propor outro, como é o caso da Inteligência Artificial. Complexo ( Complex ) diz respeito ao mundo conectado amplia muito os de- safios do cenário. Não há ações que não possam ser interconectadas com mui- tas variáveis num sistema complexo e de difícil entendimento. Ambíguo ( Ambigous ) os contextos po- dem ser analisados e explicados de mui- tas formas, gerando essa falta de clareza e assertividade. Analisar uma transfor- mação disruptiva com base em experiên- cia histórica resultará em fracasso do entendimento da nova realidade. VOZES DOVUCA World Fashion ouviu com exclusividade a coordenadora do Centro de Empreen- dedorismo da própria Faap, Alessandra de Andrade, com o intuito de registrar impactos do VUCA sobre o varejo de moda, sobre os clientes e, principalmen- te, sobre o consumidor Millenial. I WORLD FASHION – Qual a relação entre o VUCA e essa geração de em- preendedores? ALESSANDRA ANDRADE – Tornou-se mais acessível empreender na moda, seja com ou sem loja física. Ganhamos em agilidade, com o res- paldo de uma cultura de errar rápido para corrigir rápido. O empreen- dimento é feito passo a passo: valida, corrige e segue refazendo/corri- gindo. O jovem deve se engajar. É uma geração que demora mais para amadurecer pois não tem comprometimento, o que atrasa a maturida- de. O jovem acredita que o conhecimento fartamente disponível lhe dá um poder muito grande. O conhecimento tornou-se commodity : todos podem ter. mas é necessário ensinar o que fazer com o conhecimento. WF – Como o mercado deve lidar com esse quadro? AA – Essa geração precisa de apoio das empresas e encarar o mundo VUCA, num cenário que desafia a todos. É fundamental transmitir aos empregados e até aos clientes os valores da empresa que são guias para convivência. Os influenciadores estão diluídos; não se constrói mais marcas apenas com trabalho social bem comunicado. A comuni- cação com os milênios é difícil, pois leem pouco, usam cada vez menos mensagens de e-mail – até há pouco tempo esse era o meio mais usa- do. O uso excessivo das redes sociais é o único meio de informação uti- lizado e valorizado, mas insuficiente. WF – Qual o impacto do VUCA para o varejo de moda neste momento em que a tendência é a redução de lojas físicas, com aumento de lojas virtuais? AA - O varejo de moda busca sem cessar criar e oferecer uma expe- riência aos clientes. Lojas tendem a diminuir sua rede para se tornar emblemáticas e criar o momento de entrega do lifestyle esperado pe- los seus clientes. O cliente fará a compra por e-commerce , esperando que a loja da marca dialogue com seu estilo de vida. A loja física deverá criar um ambiente diferenciado, uma vez que o estilo de vida proposto aos clientes comunica e entrega valores. É de se notar que o entreteni- mento está cada vez mais presente nas lojas físicas, como cafés, desfi- les de lançamentos com champanhe, entre outros. Há uma frase muito usada no mercado de moda: Food will save the retail! (A comida salvará o varejo!) A geração milênio curte esse tipo de experiência numa loja. WF – Como se atualizar com o cenário VUCA? AA – É fundamental o varejo estimular os clientes a buscarem novas referências, e não ficarem presos somente a redes sociais. Nas redes sociais as empresas estão cada vez mais fazendo uso de algoritmos, cuja função é selecionar as mensagens que cada jovem recebe em função de seus hábitos de frequência naquela rede. Trata-se de uma manipulação não declarada. Como resultado, os jovens tenderão a ser mais radicais, pois só lerão informações escolhidas pelos provedores, em função de seus hábitos. Revistas tradicionais de moda são reco- mendadas para descentralizar a uniformidade das informações. Con- dicionado a poucas fontes, a tendência é de o consumidor radicalizar e fazer valer a máxima “ só vale o que conheço! ”. Foto: Divulgação 33 161

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