World Fashion edição 161
POR ELENI KRONKA Para realizar, é preciso sonhar Namoda, a ousadia namaior parte das vezes está emsonhar para encontrar soluções criativas que levem tanto à contemplação da estética da roupa quanto à boa gestão e ao bom resultado das vendas F O C O World Fashion foi ouvir três jovens criadores brasileiros que investemnuma proposta autoral de criação e desenvolvimento de roupas. Dinho Batista, Ícaro Tropo e Jennfer Coelho trabalham tanto como sobmedida como compeças de tiragem limitada. Os três designers, integrantes da nova geração de empreendedores, sabem que para alémdo fast fashion existe umdesejo incontornável pelamoda idealizada e produzida com toques de exclusividade. TECENDO ELEGÂNCIA A proposta criativa de Dinho Batista é pu- ramente feita de detalhes – o que, enfim, faz toda a diferença na moda e, claro, nas suas criações. Preciso no corte, atento à modelagem, o designer é generoso ao ela- borar os seus modelos, que unem raízes artesanais à perfeição da alfaiataria. Ele vai dando forma aosmodelos tecendo suas bases com fitas de cetim, em cores puras como o vermelho, alémdo branco e do preto, com espaço também para o pra- ta e o verde oliva ou pistache. A ideia das tramas produzidas manualmente veio de uma experiência pessoal, quase surgi- da ao acaso, mas que ganhou peso e hoje está na essência da sua criação. Vindo de Recife, o sonho da moda o acompanha desde muito jovem. “ Co- lecionava revistas – entre elas, o World Fashion – e seguia tudo o que acontecia, no Brasil e lá fora”, conta ele hoje, lembrando que não tinha o apoio da família pra seguir carreira na criação. “Hoje ainda é assim. Mas moda sempre fez parte da minha vida ”. Quando conquistou a independência, veio para São Paulo e ingressou no cur- so superior de moda. “ Mas tive que esco- lher entre continuar a faculdade ou pagar as contas ”. Claro que a segunda “opção” pe- sou. Mesmo assim, a vida foi generosa e levou o jovem criador pernambucano para a órbita das passarelas, isso é, para o segmento das agências de modelo. Como booker , trabalhou para as grandes agências do mercado e, principalmente, teve papel decisivo na carreira das tops que têmbrilhado sob os holofotes das se- manas de moda daqui e de lá de fora. “ A própria experiência me permitiu desenvolver e transmitir amuitasmodelos amaneira de se apresentar em cena, de usar um super salto e caminhar dominando a passarela ”. Quase 20 anos se passaram desde a chegada a São Paulo e a história de Di- nho Batista novamente ganhou novo colorido. Em 2017, seu nome integrou o line-up de marcas do SPFWN43, quando apresentou a coleção desenvolvida com exclusividade para a Maison Alexandri- ne. A maison , aliás, é uma iniciativa dig- na de nota, idealizada e administrada pela empresária portuguesa Alexandra Fructuoso, que vive no Brasil e criou a empresa com a proposta de atuar como ummecenato na área de moda. Sua roupa, elaborada a partir do tressê feito com fitas de cetim e gorgurão, se- gue a linha couture . Ou melhor: do prê- t-à-porter sob medida. Com a técnica, que envolve várias costureiras da Mai- son Alexandrine, Dinho Batista dá vo- lume e formas a vestidos curtos e leve- mente armados, ou longos e fluidos. Além do tecido de tressê de fitas de cetim e gorgurão na alfaiataria, o es- tilista, acaba de lançar o tecido de rá- fia sintética, material bastante usada em adereços nas passarelas de Hau- te Couture, pela primeira vez aprimo- rada em tecido plano para alfaiataria. Pronto para retornar à passarela do SPFW, o designer afirma que segue fir- me com sua proposta de criação. “ Não tenho mais deslumbramentos com o meio da moda. O tempo passou e amadureci ”. Fotos: Divulgação 11 161
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