World Fashion edição 161

B A L C Ã O POR ELENI KRONKA muito mais e tem maior amplitude no território brasileiro do que as grandes do varejo de moda. Isso mostra que há grande potencial de cresci- mento para os itens de vestuário. W. F. – Como o ranking chega ao resultado referente ao marketing? P. C. – Damos o benchmark a partir da eficiência operacional e apresentamos aquele que tem a melhor imagem. Para isso, fazemos uma pesqui- sa com a empresa de big data Epistemics Inteli- gência de Dados. Pesquisamos mais de 7 milhões de posts na internet e conseguimos captar a lin- guagem que o internauta utiliza para referir-se àquela marca. Assim identificamos as empresas que estão sendo melhor vistas e avaliadas pelo consumidor. Não é somente o consumidor online , pois todos estão presentes na internet de alguma forma. O estudo não se refere exclusivamente a marcas online : fala-se bem ou mal de uma mar- ca, e nós levantamos isso para compor uma base de dados, para estabelecê-la por segmentos. W. F. – Podemos dizer que há ummodelo de negócios made in Brazil ? P. C. – Havaianas certamente é um grande case de sucesso. A Animale também trabalha muito bem a sua imagem de moda. Há grandes redes brasileiras que, ao crescerem, começam a olhar para os modelos de negócios internacionais, com aspectos que vão sendo adaptados ao pa- drão nacional. Exemplo disso é a Reserva, que está num processo de expansão gigante. Para nós, que estudamos esses movimentos, são cla- ros os benchmarks de fora a que ele recorreu para trazer referências ao próprio negócio. A vi- trine “quebrada” inspira-se na Urban Outfitters, que é uma bandeira norte-americana. A ação solidária da Reserva do 1p5p (cada peça adqui- rida gera cinco pratos de comida), inspira-se na californiana Toms, fabricante de sapatos que se tornou referência por doar um par de sapato para crianças carentes em cerca de 70 países. A própria entrega por eco-bike também vem de modelo externo. A transparência que ele tem hoje, de enviar o preço dos produtos por email, tem como referência a Verlaine. Há excelentes redes nacionais com práticas que são referên- cias importantes trazidas de fora. W. F. – No Varejo como um todo, qual o segmento que mais cresce? P. C. – Sem dúvida, o de supermercados, represen- tando cerca de 20% de todo o Varejo. Não quer di- zer que não sofra com a crise, mas como trabalha com produtos de reposição, como alimentos, man- têm-se emposição relativamente mais segura. W. F. – Há mudanças significativas nessa fatia de mercado? P. C. – O varejo de supermercado passa por im- portante movimentação. Deixam, por exemplo, o modelo de hiper para assumir o formato de va- rejo vizinhança , o que já vinha sendo sinalizado. Em resumo, estão repensando o formato e o mo- delo de negócio existente. O hipermercado não vai morrer, mas o chamado varejo de vizinhan- ça, com lojas menores e de conveniência, está crescendo. Mesmo com preços menos compe- titivos, essas lojas de bairros atraem o consumi- dor. Para muitos, hipermercado é sinônimo de fi- las no caixa – ainda que a loja esteja folgada. W. F. – Qual o peso que o supermercado tem na eco- nomia? P. C. – O supermercado representa amaior fatia de faturamento do varejo no Brasil e no mundo. O se- tor de alimentos, por exemplo, bate vários segmen- tos em muitas partes do planeta. Os três primeiros colocados no segmento varejista são supermer- cados. Isso porque representam a maior parte de itens de consumo do dia a dia das pessoas. W. F. – O que é tendência hoje dentro desse segmento? P. C. – Há uma forte dinâmica de transformação no campo dos supermercados. Deixaríamos de ter o formato 24 horas e o modelo hipermercado. O formato hipermercado é antigo: era um negó- cio muito pautado na compra e venda em fun- ção da necessidade de estoque, ou seja, muito em voga em tempos de inflação alta, com com- pras uma vez ao mês. Hoje não se faz mais com- pra de mês, pois a média passou a ser de duas a três vezes por semana. Não se tem mais espa- ço para estocagem nas casas e o formato de fa- mília mudou. Hoje compra-se mais em espaços de conveniência . Quem tem hoje dez itens para comprar, não vai ao hipermercado, vai à loja que está na esquina ou a poucos quarteirões de casa. W. F. – O que se prevê para médio prazo? P. C. – O varejo ainda tem muito a crescer no Bra- sil. Muitas vezes está diretamente relacionado comuma estruturamuito familiar de empresa. Po- demos dizer, pelas características que apresenta, que o varejo em seus processos ainda está num estágio muito cru. Há empresas que evoluíram, mas no geral o que prevalece é a estrutura fami- liar. A grande maioria das lojas fizeram expansão porque, no fim das contas, é melhor expandir do que pensar em uma nova operação. Há dez anos, vivemos uma era de ouro no varejo, com cresci- mento de dois dígitos. Chega um momento em que se olha para o negócio e é preciso escolher: abro uma nova loja ou começo uma nova opera- ção? No mercado internacional, mais amadure- cido, o dilema é crescer ou perder espaço para o concorrente. Aqui, a grande maioria dos consumi- dores ainda precisa comprar a primeira geladeira, então ainda há muito terreno para se crescer. 10 161

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