World Fashion edição 159
A CULTURA REPROCESSA ELEMENTOS DA CRIAÇÃO A inovação namoda acontece quando se processam informações de mercado e comas novas tecnologias 13 159 D O S S I Ê C ultura e economia an- dam juntas, pelo menos quando o tema é a inova- ção no campo da indús- tria e da criação demoda. Elementos ligados aos hábitos e costumes, cap- tados no dia a dia, servem de base para construir a memória, seja no âmbito da comunidade, seja em es- cala quase planetária com o impul- so hoje dado pela Comunidação Di- gital. São elementos que observados pelo marketing e processados nos laboratórios depesquisada indústria contribuem para a inovação que faz girar o mecanismo criativo damoda. O mercado para um profissional de Marketing são as pessoas. O que há de novo no mundo? São mais pes- soas hoje no planeta, número esti- mado em 7,6 bilhões em outubro do ano passado. Dentro deste contin- gente, por exemplo, cresce o número depessoas commais de 50anos, so- bretudo nos países mais industriali- zados. São pessoas com boa saúde e qualidade de vida e, em geral, com cultura e gosto apurados, que dese- jam desfrutar da vida, viajar, cuidar de si, vestirem-se com conforto. No Hemisfério Norte, o atual nível de desenvolvimento econômico mostra que o perfil próprio de “classe mé- dia” nunca abrangeu tantas pes- soas. Isto significa mais rendimentos disponíveis nesses mercados. Há mais pessoas vivendo em ci- dades, mais acesso à educação e à cultura e com vontade imen- sa de se afirmarem no mundo da moda através de um estilo próprio. Tudo isso contribui, somado ao fá- cil acesso às redes sociais, para o desenvolvimento do fenômeno dos bloggers e das celebridades. Moda e mídia são agora para todos, com ampla democratização dos meios e das mensagens, da informação e da cultura. O artesanal é extrema- mente valioso; elementos de todas as culturas tornaram-se acessíveis, almejados e difundidos como valor. “CULTURAGLOBAL” OOcidente olha para oOriente, para a África, para todas as direções. A atriz mexicana de origem queniana Lupita Nyong´o foi a primeira afro- -mexicana a ter o talento reconhe- cido pela Academia de Cinema de Hollywood, em 2013, pela participa- ção no filme 12 Years a Slave. A moda com raízes islâmicas tam- bém ganha espaço. Pela primeira vez em 2016, designers muçulmanas apresentam suas propostas nas Se- manas deModa de Londres – RiaMi- randa–edeNovaYork–AnniesaHa- sibuan –, com repercussão namídia. De acordo com o estudo feito pela pesquisadora turca Siti Dewi Ais- yah, em 2020, o segmento de mer- cado compreendido pelo vestuário islâmico gerará um volume de ne- gócios da ordem de 327 mil milhões de dólares. A Indonésia, o país com omaior número de cidadãos muçul- manos (90% do total da sua popu- lação), gerou 210 milhões de dólares no setor de vestuário em2014, e pre- tende posicionar-se como o Centro Mundial da Moda Islâmica. Ao mes- mo tempo, a presença muçulmana na Inglaterra, EUA, Europa, Médio Oriente, Turquia, Malásia, Indonésia e Austrália tem como propósito in- fluenciar amoda ocidental por meio da “Hijabista”, isso é, roupas comes- tilo, dentro dos ditames damodéstia que pede o islamismo. Esta mudan- ça liderada por mulheres muçulma- nas pretende contrariar a ideia de que as que aderem aos princípios da Sharia são antiquadas e estão confinadas a maior parte do seu tempo à casa de família. VENDA E ALUGUEL Hoje é notável que há uma maior consciência a respeito dos valores relacionados com a sustentabilida- de. Nesse sentido, marcas como a sueca Filippa K. oferece às clientes o vestuário feito com fibras e mate- riais reciclados, bem como disponi- biliza um serviço de aluguel de rou- pa a 20% do preço da peça, valor esse que já inclui a lavagem e trata- mento da roupa após a sua entrega. Filippa K foi fundada em 1993 e hoje é uma das principais marcas de moda escandinava. Instalada em Estocolmo, na Suécia, a marca está presente em 30 mercados por meio do comércio eletrônico. Além disso, está fisicamente presente em 50 lojas multimarcas e cerca de 600 varejistas premium . Filippa K tem 350 funcionários apaixona- dos, sendo que 80% são mulheres. A marca francesa Ekyog, por sua vez, faz apelo à moda durável, não descartável, em que mais impor- tante do que as tendências é a be- leza atemporal. Criada por Natha- lie Lebas Vautier, em 2003, a marca tem como um dos fortes diferen- ciais a gama de matérias-primas selecionadas, tais como: algodão biológico (cultivado sem pesticidas nem fertilizantes químicos, é algo- dão orgânico certificado que ga- rante uma peça de vestuário ami- gável à pele e ao ambiente), linho (fibra ecológica por excelência, seu cultivo requer pouca água e pou- cos insumos – fertilizantes, pesti- cidas, insecticidas. A fibra absor- ve muito bem as cores e também requer menos corantes do que ou- tros materiais), seda, Modal, Ten- cel, fibras recicladas, entre outras. LIVRARIAS DEMODA Aparecem novos negócios ligados à causa da sustentabilidade como as “livrarias” de Moda, sendo o exem- plo mais conhecido na Europa, o da Lena, que iniciou a sua atividade em Amesterdã. Uma subscrição mensal que pode começar por 10 euros dá a possibilidade de trocar peças de roupa até ao limite de valor do nú- mero de pontos de subscrição: 100, 200, 300 e 500 sem limitação de tempo. A cliente “requisita” como se se tratasse de livros, várias peças de roupa para usar. No fim do mês, pode renovar o empréstimo, requi- sitar novas peças, ou até comprar… ONLINE No campo das novas tecnologias, todas elas têm vindo a afirmar o seu contributo na Moda. As novas tecnologias têm o po- der de alterar modos de produção e venda de forma radical e ainda que tenham a sua origem num de- terminado setor como, por exem- plo, a eletrônica, invadem todos os outros sectores económico de ati- vidade. Daí o seu impacto em ter- mos sociais e económicos. As novas tecnologias de informação Equilíbrio entre materiais diferenciados Aplicaçãode led empeça invernal
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