World Fashion edição 159

O crochê abre a possibilidade para as cores Inaugurada em maio de 2016, a Japan House em São Paulo já recebeu mais de 600 mil visitantes em seus domínios, brilhantemente delinea- dos no comecinho da Avenida Paulista. Onde antes era a “ponta” do imóvel ocu- pado por um banco – e que praticamen- te passava despercebida para quem cir- culava por ali a passo firme e rápido de paulistano... –, há cerca de um ano tor- nou-se uma admirável fachada de estilo oriental e traços autorais, com a assina- tura do arquiteto japonês Kengo Kuma. Quempassa observa a combinação feita de “réguas” de madeira hinoki e, ao en- trar, contempla as linhas retas associa- das às placas de papel que pendem do teto e dão ar de leveza, ao mesmo tem- po em que enchem de luz o ambiente. Foi o próprio governo japonês que idea- lizou o projeto e escolheu a dedo a pes- soa para levá-lo adiante: a executiva Ângela Hirata. “ Eu nunca havia participa- do de uma licitação e menos ainda no Japão, país extremamente criterioso e exigente em suas iniciativas dentro e fora de seu territó- rio ”, afiança Ângela, hoje presidente da Japan House em São Paulo. Certamente conduzir o projeto concebi- do para projetar o Japão atual aos olhos do mundo é um desafio e tanto. Propos- ta talvez tão desafiadora quanto as que a executiva já empreendeu ao longo de sua carreira. Nos anos 1980, ela atuou no âmbito da comunicação e assessoria de imprensa na área de moda. O passo seguinte foi tornar-se sócia da poderosa Azaleia, “ ainda que com uma participação muito pequena ”, ao lado de um terceiro sócio japonês. O objetivo era iniciar um novo negócio na área de cal- çados. “ Junto com o selo Made in Brazil , quisemos oferecer produtos com qualidade e design ”, conta a executiva. “Isso porque eu sempre acreditei no trabalho de bran- ding ”. Os calçados chineses, no entanto, invadiram o mundo a preços irrisórios, o que fez Ângela repensar os planos. Foi então que surgiu o desafio Havaia- nas, da São Paulo Alpargatas. De 2000 a 2006, a executiva levou adiante o plano de transformar as sandálias de tiras em um dos ícones da moda mais desejados do planeta. “ Eu sempre tive ao meu lado equipes competentes. Eu cui- do da estratégia, e a boa equipe tornará viável o resultado ”, afirma. Diante des- se panorama de constante busca pela inovação, Ângela assegura que “é pre- ciso buscar caminhos novos, pois o que os outros fizeram, já está feito”. Com a Japan House, a fórmula calcada na estratégia e no trabalho em equipe continua valendo. “ Seguimos com cuida- do as orientações de curadoria que vêm do Japão. E eles também nos ouvem muito, pois a proposta é fazer com que a grande meta de divulgar o Japão contemporâneo siga as características locais ”. Aqui Japan House abriu suas portas no dia 6 de maio de 2016. Desde então, há exposições que movimentam a grande sala do térreo e o piso superior. “ Há mos- tras itinerantes, que passarão por São Pau- lo e outros locais. E há também aquelas que nós requisitamos ”, comenta. AQUI E LÁ FORA A Avenida Paulista não é a única pri- vilegiada dentro do projeto de esca- la planetária lançado pelo governo ja- ponês. Outros endereços pelo mundo são, até o momento, Los Angeles (EUA) e Londres, na Inglaterra. Ambas casas abrem suas portas em maio de 2018. “ Los Angeles inicia com uma parte, que se complementará pouco tempo depois ”, observa Ângela, que preside a única Japan House que até o momento co- meçou a funcionar com 100% de seu potencial. “ Cada uma seguirá a linha mes- tra dada pelo Japão, mas adotando deta- lhes próprios, pertinentes à cultura local” . Cumprida a primeira fase de instala- ção da Japan House em São Paulo, a executiva e sua equipe já se preparam para o que virá: Business ! Há possibilidades de negócios nas áreas de tecnologia e robótica, educa- ção e medicina, artes, fashion, têxtil , agricultura, entre outras. “ Não somos um trade , mas existimos para promover a aproximação entre as boas empresas do Ja- pão e as do Brasil ”, revela. Para isso, há um contato muito estreito com o Con- sulado em São Paulo e a Embaixada, em Brasília. Ângela Hirata lembra que desde a inauguração até o momento, são muitas visitas e encontros por parte de empresários e membros do governo japonês. “ A agenda deve se intensificar especialmente este ano, marcado pelos 110 anos da imigração japonesa no Brasil ”. A dirigente vê como viável a abertura de novos pontos ligados à Japan House pelo País. “ O Brasil é muito grande e notamos o in- teresse por parte de instituições públicas e pri- vadas para a criação de filiais oude escritórios emoutras regiões brasileiras ”, comemora. MIX Arquitetos, designers, artistas japoneses ganhamespaço para apresentar ao públi- co visitante da Japan House São Paulo os seus trabalhos consagrados lá fora. A lista de eventos na casa é extensa: abarca as exposições, palestras, wor- kshops, cursos e oficinas. A arte do bam- bu, explorada por diferentes designers, emdiferentes formatos, é tema recorren- te em várias atividades. O papel é outro material tratado com especial atenção em aulas, workshops e exposições. A atividades são abertas e pedem apenas que os interessados fiquem atentos aos horários e à retirada de senhas. Tendo o próprio governo japonês como entidade mantenedora, a Japan House oferece as atividades gratuitamente. Ângela Hirata tem suas raízes na moda e garante que o tema tem espaço garantido na programação da casa. “ Os artigos da Furoshiki, feitos com estampas e materiais exclusivos, importados do Japão, são comercializados somente aqui. O mes- mo acontece com as bolsas e confeccionadas em fibra de bambu, ou os acessórios assina- dos pela designer têxtil Reiko Sudo ”. A pre- sidente da instituição comenta que está em negociação a vinda de uma empre- sa especializada em tecidos inteligen- tes. “ São materiais de origem natural, como a fibra da banana. Utilizada no vestuário, a fibra garante a sensação térmica de até seis graus a menos do que a temperatura am- biente ”. Nesse caso, entidades como a Associação Brasileira da Indústria Têx- til e de Confecção (Abit) e o Senai Cetiqt já estudam como adaptar essa tecnolo- gia para a produção industrial. A rede de lojas Muji, com mais de mil pontos de venda pelo mundo, deve mar- car presença no calendário em São Pau- lo, e o mesmo deve ocorrer com Issey Miyake, que deve vir com exposição e certamente com uma pop-up store . “ A Ja- pan House São Paulo quer oferecer muito mais em matéria de cultura, negócios e li- festyle e trazer a todos a riqueza cultural do Japão contemporâneo ”. Ângela Hirata: Nossamissão é apresentar o Japão contem- porâneo, país de prosperida- de e de paz! Furoshiki é arte emmaterial têxtil e tema de pop up store O Fotos: Divulgação 11 159 F O C O

RkJQdWJsaXNoZXIy NDgyMzI=