World Fashion + Varejo edição 156
30 A REVISTA PARA OS PROFISSIONAIS DA MODA edição 156 Paulo Delegá é diretor da Vendere, agência digital de criação para sites, redes sociais e marketing de conteúdo. www.vendere.com.br por Paulo Delegá T imidamente, boas notícias eco- nômicas vêm surgindo na im- prensa. A atividade fabril avan- çou 1,4% em janeiro de 2017, se comparada aos números registrados em janeiro de 2016. Tal fato interrompeu 34 meses seguidos de re- tração nessa comparação mês a mês. A inflação oficial medida pelo Índi- ce de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu para 0,33% em fevereiro de 2017, a taxa mais baixa para o mês desde o longínquo ano 2000. O governo federal liberou o saque do FGTS de quem tinha contas inati- vas o que, só no primeiro dia de sa- ques, transferiu R$ 2,4 bilhões para as pessoas, para a economia real. O total estimado é de cerca de R$ 30 bilhões, escalonados ao longo do ano. No dia 15 de março a agência de classificação de risco Moody’s me- lhorou a nota de crédito do Brasil de negativa para estável, sinalizando pa- ra os investidores internacionais que não há tendência de piora. No dia seguinte, 16 de março, foi anunciado oficialmente pelo governo números do IBGE que mostram que em feve- reiro de 2017, pela primeira vez em 22 meses, houve aumento do número de empregos formais no Brasil: foram contratados 35.612 pessoas a mais do que demitidas no mês. No mesmo dia 16 foi divulgado o sucesso do leilão de privatização dos aeroportos de Fortaleza, Salvador, Flo- rianópolis e Porto Alegre, por R$ 3,7 Otimismo, sim, porémmoderado e cuidadoso Se os vários sinais de melhora econômica se traduzirem emcrescimento do PIB ao longo de 2017, haverá aumento de pesquisas na internet sobre produtos e serviços. Se preparar desde já pode trazer negócios para você Fotos: Divulgação bilhões. Além de dinheiro entrando em caixa, essas privatizações garantem investimento internacional para refor- mas e ampliações desses aeroportos, que levará a uma melhoria do trans- porte de pessoas e cargas no país. E por último, mas não menos impor- tante: número publicado pela Asso- ciação Brasileira de Papelão Ondula- do (ABPO) mostra aumento de 4,23% nas vendas de janeiro e fevereiro de 2017, quando comparadas com os mesmos meses de 2016. Como grande parte dos bens ma- teriais, em uma etapa ou outra circula dentro de caixas de papelão, o aumen- to das vendas desse insumo costuma ser umexcelente indicador demelhoria econômica no futuro próximo. Mostra que os empresários estão comprando, em maior número, as caixas que vão transportar o PIB nos próximos meses... SURFANDO NO TSUNAMI Seria ingênuo deste que lhes escreve propor que essas pequenas boas notí- cias econômicas pipocando aqui e ali já mostram que a maior recessão da his- tória do Brasil está superada. Foi grande demais o tsunami de incompetência e corrupção que destroçou a economia, fez falir dezenas de milhares de empre- sas e jogou 12 milhões de brasileiros no desemprego. A reconstrução vai levar anos. Alguns economistas falam em mais uma década perdida. No entanto, agora no começo de 2017 é a primeira vez, em muito tem- po, que há indicadores positivos que sugerem o começo de um círculo vir- tuoso. Se a sua empresa conseguiu sobreviver até aqui, se você conseguiu não se afogar na pior parte do tsunami, faz sentido encarar o futuro com mo- derado e cuidadoso otimismo. O moderado e cuidadoso fica por conta de que leva um tempo para que as melhoras setoriais e regionais que vemsurgindo se propaguempara todos os diferentes agentes econômicos. E tambémporque no Brasil nunca se sabe o susto que as manchetes de amanhã de manhã podem trazer. Crise aqui não é um evento, é um estilo de vida. PRIMEIRO OS OLHOS, DEPOIS O CORAÇÃO. POR ÚLTIMO O BOLSO... Como um aumento do consumo de caixas de papelão precede e acom- panha o aumento do PIB, um aumen- to de consultas na internet precede e acompanha o aumento geral de negócios na economia. Empresários, executivos e consumidores pesqui- sam e comparam na internet antes de fazer negócios, mesmo que o negócio propriamente seja fechado presencial- mente – entre pessoas – em uma eta- pa posterior. Então, se o moderado e cuidadoso otimismo que esse colunis- ta prega se mostrar justificado ao lon- go de 2017, vai acontecer um aumento de pesquisas na internet sobre produ- tos e serviços. Mas essa provável mo- vimentação maior no ambiente digital só será positiva para sua empresa se essas pessoas, começando a procurar por novos negócios, acharem os sites e redes sociais da sua empresa e deles tiverem uma boa impressão. A SORTE É DOS MAIS PREPARADOS Muitas empresas descuidam um pouco de suas presenças na internet durante tempos de crise porque os seus empresários e executivos têm que enfrentar muitos problemas si- multaneamente. É preciso lutar para não perder clientes, descobrir jeitos de baratear a produção e continuar prestando um bom serviço com me- nos funcionários. Comparado com essas dificuldades, ter um site meio desatualizado ou uma página sem graça no Facebook parece ser um problema menor; há incêndios a se- rem apagados primeiro. No entanto, a maioria dos novos ne- gócios começa com uma pesquisa na Internet. Nessa hora crucial um possí- vel descuido pode custar caro: um site ruim, oumesmo “feinho”, gera o risco de aquele fornecedor ser desconsiderado para compra, e nem entrar na disputa. Não importa que o produto ou servi- ço seja espetacular. O comprador não é clarividente, ele só tem para julgar o que está vendo ali na tela. Então, se você an- doumeio desatento à internet por conta da crise, pode ser hora de uma revisão. Revisar sua presença digital – repensar a estratégia, renovar sites e redes sociais, criar uma mecânica melhor de publica- ção regular de conteúdo – é trabalho de meses. Se você quer que a internet ajude sua empresa a aproveitar a possí- vel retomada do crescimento do PIB em 2017, a hora de começar é agora.
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